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Rui Borges: “Queremos ser fiéis à nossa identidade e conseguir os três pontos”

Rui Borges, treinador do Sporting, fez esta quinta-feira a antevisão ao jogo em Braga, que diz respeito à oitava jornada da Liga Betclic e está agendado para as 20h15 de amanhã.

Como correu a semana de preparação? Análise do adversário?
“A semana foi normal e tranquila. Treinámos e tentámos estar ligados ao próximo jogo. Vamos para Braga sem treinar com todos, mas temos um grande grupo de jogadores, focados no que têm de fazer. Estamos preparados para este jogo e para a exigência que ele nos vai colocar.”

Como analisa o Braga?
“O Braga é uma grande equipa, das mais agressivas em termos de pressão alta e muito intensa e competitiva em termos da linha defensiva. É também uma das melhores em termos de duelos defensivos ganhos. É uma equipa que, na transição ofensiva, é das que mais finaliza nesse momento. Isso também é fruto da qualidade dos seus jogadores ofensivos. Tem um padrão de jogo muito específico, muito associativo, com muita posse de bola, que poucas equipas conseguem pressionar. Coloca muita gente no centro do jogo, o que torna difícil encontrar os gatilhos de pressão que o adversário quer utilizar. É uma equipa muito forte no momento ofensivo, com jogadores muito bons na finalização. Tem o Horta, o Pau Víctor, jogadores muito bons tecnicamente. O Braga tem cinco jogos em casa e cinco vitórias, sem sofrer golos. Perante isso, queremos ser Sporting, fiéis à nossa identidade e conseguir os três pontos.”

Como estão os jogadores que vieram das seleções?
“Estão preparados para o jogo. As decisões vão ser tomadas no dia do jogo. Hoje não treinámos com todo o grupo, o que torna mais difícil, em termos estratégicos, mostrar algumas coisas. Vamos trabalhar mais a partir do vídeo. Depois, há muita coisa que se sente no próprio jogo, perceber como vão estar e qual será a melhor forma e a melhor equipa para entrar em campo. Sinto-os motivados. Fizeram boas prestações nas seleções, vêm motivados e prontos para ajudar o Sporting.”

Ainda não venceu o Braga ao serviço do Sporting. Também nunca perdeu. O que fazer de diferente?
“São épocas diferentes, jogos diferentes e jogadores diferentes. Temos de tentar ser o melhor possível e fazer um grande jogo. Vimos de dois empates que deixam alguma intranquilidade, mas, nestes dias, senti a equipa muito motivada, tranquila e com muita vontade de dar uma grande resposta. A pressão no Sporting é ganhar todos os jogos. Temos de ser capazes de superar as dificuldades que o jogo nos vai colocar.”

Ibrahima Ba está preparado para dar contributo à equipa? Sporting é a equipa com mais amarelos, como justifica? FC Porto tem um terço
“Em relação aos cartões amarelos, não vou tecer comentários, deixo a análise para vocês. A minha equipa tem estado bem, intensa, competitiva. O facto de termos mais ou menos amarelos, ou se foram certos ou errados, não vou comentar, são decisões, temos de as respeitar. Temos de continuar focados no nosso trabalho, no que controlamos. A equipa tem estado bem em termos de níveis de agressividade e competitividade. Os amarelos não ditam que a nossa equipa tenha tido agressividade em demasia. O Ba está a treinar normalmente, e está convocado para o jogo. A paragem foi boa para o Ba, de resto, ficámos com quatro jogadores para treinar.”

Está preparado para lidar com a contestação dos adeptos se não ganhar em Braga? Sente a necessidade de retribuir os elogios de Frederico Varandas com bons resultados?
“O meu papel aqui é fazer o melhor pelo Sporting, com a exigência de ganhar todos os jogos, com maior ou menor dificuldade, e com estratégias diferentes. É nisso que estou focado, não em retribuir, sei o carinho que o presidente tem pela nossa equipa técnica, mas não é só carinho, tem a ver com a competência da equipa técnica. Mas é sempre bom sentir o apoio da estrutura, principalmente do presidente. A contestação no futebol é natural, não muda nada, desde que comecei como treinador que sabia do meu papel, e cheguei ao Sporting com muita competência. Vou continuar no futuro com competência, a contestação faz parte desta convivência, do nosso crescimento como equipa técnica.”

Nunca venceu o Braga, nesses três jogos perdeu as vantagens nos últimos minutos. Chamou os ghostbusters ao treino esta semana?
“Antigamente chamávamos o padre para benzer (risos). É natural que isso, em algum momento, possa mexer com o atleta e a equipa. Temos sofrido alguns golos na parte final dos jogos, e não podemos fugir a isso, é claro. A forma como sofremos importa. Nos jogos com o Braga na época passada, foram dois penáltis aos 91″, irrisórios, quando o Braga não nos estava a criar perigo, tem a ver com o momento, com ações individuais, em milésimos de segundo, que acabam por penalizar uma equipa. Faz parte, o culpado será sempre o treinador, assumo sempre essas responsabilidades. Nesta época, nos jogos em que sofremos golos, o único em que não fomos capazes foi a segunda parte com o Vitória de Guimarães. Estivemos muito aquém do que tínhamos de fazer e deixámos o Vitória acreditar muito, andar perto da nossa baliza, criar algumas situações. Nos outros jogos fomos penalizados por ações individuais, nas quais temos de melhorar, mas as equipas não nos expuseram sob pressão, com situações de golo – tirando a segunda parte com o Arouca, em que estávamos com 10 jogadores. Podíamos mudar algumas coisas? Podíamos, todos nós fazemos coisas diferentes. A única situação que nos deixou mesmo chateados foi a segunda parte com o Vitória. Tirando isso, fomos penalizados por pequenas coisas. Temos de reagir, e fazer acreditar o grupo que as coisas mudam e que estamos ainda mais concentrados nas pequenas ações, em termos individuais, para não sermos penalizados nas poucas coisas que criam.”

Se o Sporting perder, pode ficar a nove pontos da liderança do campeonato, ficaria fora da luta pelo título?
“Vamos lutar pelos três pontos, é o meu único foco.”

Ioannidis esteve bem na seleção, isso vai ter peso na luta com Suárez? Maxi Araújo fez os 90′ no amigável com a Índia, Zalazar ficou perto, foi feito o possível para evitar essa sobrecarga?
“Como estrutura, fizemos tudo ao nosso alcance para conseguirmos minimizar o desgaste dos jogadores, sabendo que jogaríamos na sexta-feira. O que controlamos, tentámos fazer ao máximo, para conseguirmos estar o mais frescos possível. Em relação ao Fotis [Ioannidis] e ao Luis [Suárez], tudo tem peso na gestão de esforço, e tem a ver com o excesso de carga que alguns jogadores possam ter, o Luis é um deles. Vai ser algo para percebermos no dia do jogo, para percebermos qual é o melhor onze.”

Sporting está a seis pontos da liderança. Sente mais pressão?
“A pressão é a mesma. Desde o primeiro dia no Sporting que estou pressionado. Percebo a grandeza e a exigência do clube, trabalho todos os dias para ela. Às vezes consigo bons resultados, outras não, e temos que lidar com isso.”

Jogo é mais importante pela distância para o primeiro lugar e a contestação do último?
“A contestação é natural, é normal no mundo do futebol. A exigência do Sporting é grande; sabemos o que representa. A contestação vai existir em alguns momentos. Percebo, respeito e sigo focado em dar a volta a momentos menos positivos na minha carreira.”

As palavras de Frederico Varandas deram mais confiança?
“A confiança é diária, não está relacionada com as últimas declarações do presidente. Sinto-me bem, feliz no Sporting desde que cheguei. Claro que o presidente, felizmente, está diariamente connosco.”

Gonçalo Inácio não jogou pela seleção. Que comentário faz?
“Não jogou, errou menos. De resto, vai continuar a jogar e ter confiança do seu treinador. A jogar é que eles crescem. É capitão do Sporting.”

Como gostaria que Cristiano Ronaldo saísse da Seleção?
“Não vou tecer muitos comentários sobre a Seleção. Nem tenho essa capacidade nem esse direito. Não podemos falar sobre suposições. A grandeza do Ronaldo, a nível mundial, nem nós temos bem noção do que ele representa para todo o mundo. Sinto um orgulho enorme por ter a sorte de desfrutar da grandeza dele enquanto futebolista. Desejo o melhor ao Cristiano e ao mister Jorge Jesus. Tenho também uma enorme admiração pelo mister Jesus. O Cristiano vai decidir da forma que ele quiser e entender. A minha admiração por ele é enormíssima.”

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